Pijamas, calções, camisetas, conjuntos para bebês. Tudo foi doado às crianças do Hospital Infantil Seara do Bem, e da Irmandade Nossa Senhora das Graças. O administrador do hospital, Éder Alexandre Gonçalves explica que, devido ao fato de que 85% da população ser atendida através do Sistema Único de Saúde (SUS), a maioria é carente e precisa de ajuda em relação ao vestuário. “Quando a criança chega, ela fica com uma roupa nossa (do hospital). Por causa do controle de infecções hospitalares, é necessária a troca de roupas frequentemente. O procedimento evita a ação de agentes contaminadores e as peças doadas irão servir, e muito, para isso”, comenta Éder.
O hospital conta com um grupo de mulheres voluntárias que desenvolvem atividades sociais, como a brinquedoteca, higienização dos pequenos pacientes e identificação de famílias carentes que precisam levar roupas doadas para casa, para o uso cotidiano.
Mensalmente, o Seara do Bem atende, em estado de urgência e emergência, 4.500 crianças. Em regime de internação são cerca de 300 ao mês. São crianças e adolescentes entre 0 e 16 anos incompletos, de toda Serra Catarinense, além de outras regiões do Estado. “Fora da Região Serrana, o meio-oeste é a que mais traz pacientes a Lages”, reforça Éder. O coordenador dos cursos, Ronaldo Augusto Pires, comenta que a doação é fruto do “trabalho em sala de aula, em que aprendem a ação do voluntariado.” Ele ressalta que Lages está crescendo no polo têxtil e tem plenas condições de destaque em Santa Catarina.
Na Irmandade Nossa Senhora das Graças, que existe há 56 anos, são atendidas 240 crianças e adolescentes, de 3 a 16 anos, onde participam de oficinas de música, artesanato, recebem noções de horta e jardinagem, além de praticarem esportes e terem aulas de informática. Eles permanecem durante o dia em atividades, vão para a escola, fora da Irmandade, e recebem apoio pedagógico, uma espécie de reforço escolar.
A diretora da Irmandade, Irmã Maria Perini, a partir de 1990, com s instituição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), houve a vigência de que se evitassem os abrigos. Assim, se a criança ou o adolescente tiver pelo menos um parente biológico, deve estabelecer vínculos e pelo menos, pousar com o familiar. Dezenas de crianças aguardavam ansiosas a entrega das roupas, brinquedos e doces. “Esta atitude de doar as roupas é admirável, uma iniciativa louvável de grupos que, além de investir na autopromoção, ainda investem no tempo para os carentes, para as crianças das periferias de Lages”, observa Irmã Maria.
Fonte: Daniele Mendes de Melo
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