Caros, Há um mundo de fatos e desdobramentos ligados ao Internacional de Lages sobre os quais temos ouvido apenas lampejos esparsos. Como sou torcedor e também coordenador de uma comunidade na rede social Orkut dedicada ao Inter, da qual participam mais de mil pessoas, passei aqui para tentar explicitar alguns deles. Vou por tópicos (quatro, no total) para que o conteúdo possa ser mais bem digerido:
1. A falsa abnegação Nós sempre ouvimos o discurso (e muitas vezes, inclusive, nós o repetimos) de que ninguém se apresenta para assumir o Inter de Lages - e que, por isso, em um ato de desprendimento e sacrifício pessoal, o atual presidente sempre se apresenta para que o clube não feche as portas. Esqueçamos essa conversa fiada. Ontem, dia 29 de março, uma chapa de oposição se apresentou para a eleição. Apresentaram-se também dezenas de pessoas para a votação. No entanto, por ordem do atual presidente do clube, a chapa de oposição FOI IMPEDIDA de se inscrever. Ao impedimento seguiu-se uma celeuma na sede administrativa do clube. Mesmo com o bate-boca, no entanto, a coisa ficou na mesma. A única chapa cuja inscrição foi aceita foi a comandada pelo atual presidente. E assim, sem alternativa para voto, a chapa de sempre ficou onde sempre está.
O episódio tem que mudar o rumo dos discursos. Ao ouvirem o argumento de que "o presidente, que perde dinheiro com o Inter e quer se afastar, só assume o clube porque ninguém quer pegar", lembrem do que ocorreu na malograda eleição. Ontem, meus caros, havia gente disposta a se candidatar para o posto que o atual presidente há anos diz que não quer mais ocupar. Mas essas pessoas não foram admitidas na eleição. Os fatos agora contrariam o senso-comum: o discurso da abnegação já não é mais válido.
2. O obscuro processo Inter x prefeitura
O Esporte Clube Internacional movia ação contra a prefeitura por reparações pela perda das benfeitorias construídas sobre o terreno do Vermelhão, a antiga sede do clube. A prefeitura, como se sabe, reverteu para seu patrimônio o terreno que tinha sido doado ao clube em 1965 porque a lei da doação não permitia que o espaço fosse leiloado para pagamento de débitos - e esse risco de reversão de fato existia. A prefeitura teve razão na reversão. Mas também o Inter tinha razão de pedir ressarcimento dos danos ao que construiu. Afinal, se havia tijolos, paredes, piscinas, salões (ainda que todos em péssimo estado de conservação), eles pertenciam ao clube.
Pois bem: HOJE, dia 30 de março, o nobilíssimo juiz Silvio Orsatto, da Vara da Fazenda de Lages, proferiu sentença que diz que NADA será pago ao clube pela depredação dos bens. Ainda não foram publicados os argumentos do juiz usou para chegar a tão elevada decisão. Se bem administrados, os recursos obtidos com um eventual ganho de causa poderiam ser um novo sopro de vida para o clube. Poderiam, é claro, também ser jogados no lixo se mal administrados (e o histórico dos últimos anos nos fazer entender a razão dessa suposição), não vamos nos enganar. Mas o Inter não terá a alternativa de poder fazer bom ou mau uso do dinheiro. Alguma cabeça iluminada enxergou algo que ainda não sabemos.
3. A ganância, a vaidade e outros pecados A despeito do que nos faz crer o tardio comunicado da prefeitura, distribuído apenas ontem, e também a despeito da absoluta falta de comunicados do próprio clube, esse caso está em andamento há anos. Não acabou hoje e ainda terá desdobramentos, sejam eles quais forem. Esse caso tem muito mais meandros do que os expostos até o momento: a ganância, a vaidade e a cobiça a que assistimos até aqui.
4. A ignorância da história Reitero neste texto o que já argumentei em mensagens anteriores: escrevo como um mero torcedor. E na condição de lageano. Dito isso, reafirmo que Lages não precisa de um time de futebol, como alguns querem crer. "Precisar" não é o verbo. O Internacional é um patrimônio da cidade - e, como tal, é o que faz de Lages o que ela é. A morte do clube não é o fim de um time, mas o desaparecimento de uma parte da nossa identidade.
Ignorar parte do que somos é como nos livrarmos de um membro julgando ele ser um apêndice asqueroso. Pensem em outros símbolos que nos fazem lageanos: Lages não precisa do Tanque (temos outros parques, afinal). Lages não precisa da Catedral (temos outras igrejas, afinal, e o número de católicos não seria reduzido). A cidade continuaria a existir sem esses dois símbolos se eles desaparecessem. Outros poderiam ser reconstruídos, mas jamais nos devolveriam a identidade inicial.
Não ignoremos a história. O Inter é um elemento que faz Lages ser quem é. Ou então viremos as costas para ele - e, no mesmo ato, concretemos o Tanque e derrubemos a Catedral.
Abraços cordiais,
Patrick Cruz Lageano e jornalista
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